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Quem eu sou?

Havia calor ainda em seus olhos, mas eles ia aos poucos esfriando e se fechando era como se algo o estivesse puxando para dentro de si mesmos, para suas mais profundas memórias. Viu coisas que havia se esquecido há séculos, sua primeira queda de bicicleta, e sua mãe a fazer o jantar enquanto ele fazia o dever de casa na mesa; então pulou para pré-adolescência e viu Ana, a primeira garota que beijou, ela tinha trancinhas e sardas no rosto, lembrou de como a achava bonita mesmo usando óculos grandes demais; o primeiro porre com os seus amigos, ele não os via a muito tempo, soube que esposa de antônio havia perdido o bebê, mas ele teve muito trabalho e não pode visita-lo, não lembrava nem mesmo de ter ligado; se viu entrando no primeiro dia de faculdade ao lado de sua mãe, estava tão envergonhado por chegar lá com ela, mas sabia que não conseguiria ter entrado no prédio sem sua mão protetora o incentivando ali em suas costas; a primeira reprovação; a noticia de que era o melhor da classe...

Claridade

Calou-se instantaneamente, parecia ter ouvido o maior absurdo já inventado. Lembrou, porém que todos naquela casa eram assim, exagerados, brigões e incapazes de falar em um tom educado, não lhe restava mais nada, levantou e pediu licença aos anfitriões e dirigiu-se, ainda indignada, a porta. Relutante ainda olhou para trás, sentia que abandonar a pobre criança no meio daqueles primatas era uma crueldade sem tamanho, mas que poderia fazer a simples professora contra toda a convicção daqueles pais? Nada! Essa era a resposta mais dolorida que já havia passado por sua cabeça. Inês era uma menina inteligente, a qual não se precisa explicar duas vezes, ela 'pegava as coisas no ar' e era curiosa, merecia, sem dúvidas, concluir seus estudos. o problema de tudo era seu pai. Deodoro o tosco pai de Inês, colocara a filha na escola apenas para que aprendesse a ler e contar, isso bastava. Criava a filha para casar-se e ser, assim como a mãe, uma escrava do lar. a sorte é que seu no...

Anjo de Guerra

Eu não sei de onde ela veio, mas ela estava lá com seus longos cabelos negros, os caracóis lhe escorriam pela face. Ela se ajoelhou ao meu lado e se compadeceu da minha alma. Era final da Segunda Guerra, eu sou um dos soldados sobreviventes, e passei pela terrível sensação de apocalipse... Não tinha comida nem água, a munição também estava acabando, estávamos perdidos. O exercito inimigo avançava e o barulho era intenso, eu tinha em meu colo um amigo ferido, eu estava desesperado, ele me pedia que o tirasse dali, ele chamava por sua mãe. olhei para o céu e vi a morte... Era um míssil que iria atingir o solo a poucos metros de nós, eu o arrastei pelo solo até uma barricada mesmo sabendo que não seria o suficiente, mas era o melhor que eu podia fazer. Quando ele nos atingiu, voaram destroços por todo lado, eu não consegui levá-lo comigo, mas deixei meu coração com ele, senti o calor do fogo que devorava nossa munição e fui atingido por restos de equipamentos, e uma bala; senti o sangu...

Same Mistake - James Blunt (legendado) - P.S.: EU TE AMO

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Ciclo I

É noite e apenas sei disso porque não há nada de luz entrando pela janela, o meu teto é apenas preto, nem mesmo nuances de cinza, e eu estou dolorosamente consciente. Os lençóis queimam minha pele e eu levanto. Porta a fora existe nada... Nada mais, eu contei muitos passos, mas minha mente parou. Tudo a minha volta é loucamente claro agora... A luz e o barulho me enlouquecem, mesmo eu não os vendo, não os ouvindo. Não há ninguém! Não há nada! Eu não tenho destino certo, minha pernas mecanicamente me levam onde antes havia vida, hoje só há movimento, morto e frenético. Isso é só um desabafo desse velho louco, que anda sozinho e as vezes chora, eu não quero seu perdão só quero poder falar dos meus pecados, dizer alto que eles me xingam e que sei que sou um arrogante por não pedir perdão. As coisas as vezes fogem do controle e minha lágrimas são vermelhas, mas não quero ajuda... Quero olhar pro céu e sentir que sou observado. Eu não tenho razão mas eu tenho o que preciso, neste pa...

Indormente

Eu estranho algumas pessoas que vivem submersas em seu próprio eu, elas simplesmente não olham ao redor e não fazem questão de conhecer seus próprios pais. Correm de um lado para o outro se julgando superiores aos demais, seus projetos são para seu próprio apreço, sua única vantagem é estar blindado conta as expectativas. Porém me pergunto, pois desacredito fortemente, como são felizes tais pessoas? ou pelo menos, como sabem que são? Creio que somos produtos do meio, que somos o conjunto irregular das características mais fortes das pessoas com quem trocamos emoções, dos lugares peculiares ao qual nos apegamos, dos objetos que nos cativam, das coisas que nos intrigam, dos sentimentos que nos sufocam. Pessoas parcas de  emoção são pessoas pobres em espirito e personalidade.

Eu e a Noite

De onde eu venho a noite é uma calma perfeita, onde brilham estrelas e os velhos cantam algo que remota do inicio da fé, de onde venho a noite tem cheiro de abraço e de soa muito parecida com "bença pai? Bença Mãe?". Mas nesse lugar tudo é estranho, a noite ruge como um cão faminto e as paredes berram por toda parte uma dor coletiva, um abandono inumano. Aqui pouco se vê o céu e o vento cheira a podridão e o sinônimo de amor é medo. Quando o entardecer engole as cores eu lembro que em minha casa era hora de fechar as portas para as visitas indevidas dos mosquitos, aqui minha porta só se abre enquanto passo, e o frio que vinha da pastagem depois das seis em nada se compara ao frio artificial do meu ar-condicionado. Por vezes sento-me na sacada do prédio olhando o mar de pessoas descer a avenida em seu passo assustado e percebo quão pequena eu sou. Me pergunto quantos outros como eu não são daqui e sentem saudades de suas casa e de seu jeito próprio de viver, me pergunto quanto...