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Mostrando postagens de 2018

Aquilo que Queima

Não está além do céu Navegando no leite sereno Constelando e sorrindo Como sonho Não está sobre o mar Flutuando no gelo Ou sob ele Como tesouro perdido Está por dentro Vivo, latente Insone Não respeita a noite Não julga a morte É paixão e consome

Old broken-friend

Hey Old Friend As luzes da cidade estão acesas a tempo demais Eu estou aqui insanamente tentando dormir Só penso em como você veria as coisas se soubesse o mesmo que sei Hey Man Posso te chamar de amigo? Ou meu status ainda é de uma conquista barata? Eu converso com você no escuro como se você estivesse aqui Por isso que minhas luzes ficam mais tempo acesas agora Hey Eu estou enlouquecendo esses dias E só queria que você soubesse que ainda lembro Nossas teorias ainda vivem na minha cabeça martelando E sobre o mundo e os pesadelos Eu é quem os tenho

Fadada Memória

Cá assentado no barro vermelho Nas vigorosas vigas não desfeitas Olho o passado dantes, eu nem nasci Não existo Meu pai corre no terreiro Sobe sorrateiro no mourão Quase agarra a asa branca De casa, de criação Meu avô, seu suspiro cansado Debaixo do alpendre, enfadado Já enfermo, canta a toada Sobre Zé Garcia, herói afamado Da poeira que sobe carmim Minhas lágrimas sangue são Do menino alegre, cabelo afarofado Pisoteado pelo boi barbatão O cheiro da cozinha me alcança Café, foligem, e avó A risada macia e triste As estripulias do menor O riacho hoje é seco Mas ouço seu escorregar E o bálido distante da cria Sem lhe poder transpassar É o tempo escorrendo tosco O sol já vai se deitar Tenho de ir-me embora Meus fantasmas deixar Pois é noite de lua A seresta a pouco começa Farão, pois, fogo no começo da terra E água no terreiro ...

Fiz para você

Uma porção de escolhas que não pude assumir Canções e louvores que não vou admitir Qualquer coisa, apenas por lhe ver sorrir E peço... Me guarde para ti.

Despedida

Perdi pedaços ao longo da jornada, tão essenciais quanto o próprio ar, perco hoje , nessa dolorosa despedida, outro, este com sorriso maroto e vã crença em estrelas que talvez estejam mortas,  o que vemos em nosso ceu pode ser apenas a sua lembrança. Estrelas morrem Michelle, essa é a lei, estamos agora separando partes que duraram menos que qualquer outras, você segue e leva o sol que me aqueceu por esses dias contados e mesmo assim infinitos. São só palavras eu sei, mas é tudo que sei fazer, escrever minhas lágrimas em um papel surrado e esquecer.

Sofrer

Sobre ela, a pedra mais linda moldada na jóia mais cara, mas eu a perdi, um tolo e débil poeta que esmagou a flor e riu!

Dor absoluta

Eu sinto que morro todo dia apenas por não te ver Levanto sempre com o sol e com sol me deito Não procuro amigos, sou um recipiente vazio Não existe nada em mim além da minha vertiginosa camada de dor e desespero Quando, da sacada do meu quarto, o sol se esconde, eu me deito Cubro meu corpo e cabeça em lençóis de linho, vegeto Olho por minhas memorias distorcidas tudo o que já foi Nessa agonia calma as horas passam e eu me disperso nas memorias A noite vai morrendo como um velho tubérculo nas garras do sol Se afogando em sua própria escuridão Eu me encontro vendo o avanço gradual do sol em seu domínio particular E meus escritos se interrompem apenas para o chá Sua fria consistência me acalma, mas a segunda xícara nunca é servida Olho através dos secos vidros meu reflexo e lembro-me taciturno a tua volta É dolorido quando não adormeço e caminho pouco convicto Enjaulado em meu próprio quarto sentindo falta de um perfume Meus olhos secam e as luzes pela janela os ferem...

Sobre o fado

Estou cheia! Cheia de noites mal dormidas Cheia de conversas vazias Cheia de pessoas falsas Cheia de amores de vidro Cheia de compromissos furados Cheia de promessas quebradas Cheia de vazios incalculáveis

Corona

Eu te desejo que você seja Você veja quando alguém te faz bem Quando for existir e pensar Sempre lembrar do que mereceu Teu mal é gêmeo do meu Se chama solidão Desgosta, mata e revive Sobrevive na mais densa escuridão Teu solo é esse que piso Teu sonho é esse que é meu também Mas não se deixe, não abandone É assim meia vida e além.

Uma garota, até que enfim, extraordinária

Algo que aprendi sobre ela é naquele quase metro e meio existe uma grandeza, uma gentileza, uma leveza... Enfim nada muito simples de explicar, naqueles olhos nada críticos tão contrários aos meus existia um puro e sincero torpor que ousei chamar de amizade Michelle era entre outras coisas, ousada, aproximar-se sem medo daquela imagem vampiresca e antipática que eu ostentava, ou melhor sustentava, pois dia menos dia eu me cansava e colocava tudo no chão e chorava, arruinada como uma foto que caiu no lago. Mas o intrigante sobre sua alma, era apenas que não era vazia, não oscilava e não enegrecia, nem mesmo com os meus falhos atos de desamor. Michelle era comovente e desconhecia minha luta diária por aceitação, não por parte dos outros, pela minha própria e ouso dizer que me amo um pouco mais depois de sua alegre disposição em me levar para dentro de seu coração gigante, eu estava novamente desesperado e ela estava me dando a mão.

Aquela armação transparente

Ela é viva e transparente Tão quanto suas lentes Eu a vejo como algo sutil e ela ri Dos meus grossos modos Sou nada gentil Mas ela perdoa Jarderlany é única E vive em mim Neste momento, outros eu lamento Nada posso fazer Você vai embora e eu fico Se outra surge Eu peco Perdoa, eu não te esqueço E juro Para ti escrevi um poema

Angústia

Eu verso a angústia que toma meu peito E saio sem rumo a deriva no mar O mar de pessoas que se aglomeram Meramente vazias sem nada pra dar É frio la fora, no calor escaldante Tão escuro no sol  que não se pode olha Me sinto estrangeiro aqui não pertenço Preciso do lar para enfim descansar No mundo assim eu só sei de mim Que tudo que vê não se pode aceitar Que nada em esforço continuo é inútil Não há uma força para esse curso mudar.

Pesadelos

É noite de novo e fico a pensar Nos terrores noturnos, lenta tormenta A muito não escrevo Estou inquieto pesado, sangrado e só Não durmo tranquilo Quando o sono se achega A cabeça pesada de sono e de Culpa Uma vaga desculpa Que não cai melhor No fim tudo é breve Eu temo por nós Cada pesadelo de um dia final Sangrar sobre as dores Um triste festival

Verso Corrido

Cheirinho de chuva de mato molhado O céu estrelado Falando de nós O riacho correndo A vida serena Mas falta a partilha Aqui estou só O sertão tão chovido E eu tão sofrido Aqui haja dó Casa de vó é serena e bonita Uma cigarra que canta  Alegre pra nós A brisa do inverno se aconchegando E a solidão consolidando  A saudade no pó Tarde da noite versando apressada Com medo e magoada O fim é para nós

Através da perspectiva

A vida é breve e insignificante, digo isso pois me deparo com uma casa que se organiza para um velório, as pessoas dentro, penso eu, devem estar buscando motivo para continuar enquanto todos, inclusive eu, nos mostramos indiferentes a toda a dor que recaiu espessamente sobre aquela família. Perdi uma quantidade significativa de pessoas para saber que em algum lugar daquela casa há alguém agarrada a um objeto que lembra-lhe a pessoa e chora copiosamente enquanto sente o ar quei mar seu ser de dentro pra fora. Mas eis que essa sou eu, pensando demais, supondo demais, ignorando o fato de pode ser alguém já de idade que pacificamente fez sua passagem deixando a família numa resignação triste, porém saudável. Mas vivemos por isso, pela tragicidade da vida, pelos "de repente"s pelo que julgamos serem sentimentos tão fortes que preenchem o vazio das almas, sem essa esperança seriamos nós, mortos-vivos despropósi...

Tão breve quanto uma aula de violão

Ele me olhava por sobre o balcão Eu sorrio pois sou fatalmente fraca em relação a ele Seu cavanhaque e a pele morena me ganharam instantâneamente É o show particular naquele início de aula só me fizeram ainda mais boba Fico sentada no pátio até o inicio do período só para vê-lo passar É suspiro quando imagino as coisas que não vão acontecer Isso se repete semana a semana como um dejavú Tão breve quanto uma aula de violão

Manhã

Sonhos estranhos Eles me rondam Retalhando homens Revivendo amores Me dando tremores Resgando-me com esperanças vãs Então escrevo Pois é manhã e a jornada recomeça Vivo na estrada Nela irei morrer