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Mostrando postagens de novembro, 2017
Era um tipo calado, que mesmo no meio da multidão estava só, aquela garota que se fechava com seus fones de ouvido e seus cadernos, estava em outro mundo, vivendo como outra pessoa .

Eu morto

Essa é uma daquelas noites que desejo ardentemente um cigarro é a dormência do álcool. Nada faz sentido e eu sinto tudo, principalmente o vazio assombrado no meu peito, a falta de não sei o que é a ânsia que se apoderam de mim. Eu já quis gritar e já quis morrer tantas vezes hoje que não faz mais sentido, nada faz, gostaria de por fogo em algo e me queimar só pra saber que estou mesmo viva
Você não tem rosto para mim, é só mais alguém que eu ñ poderia prever. Quando penso em você vejo palavras que me acalmam e não quero mudar isso.

O lobo

Sou de uma tribo de animais, vivo entre vorazes carniceiros de dentes afiados e pelos reluzentes, sou também como eles, seria hipocrisia dizer o contrário, mas sou farta, sou cansada em meus poucos anos, o sangue não mais me atormenta, não mais me enoja, é totalmente desprezível, não me comove mais e isso me diz que estou morta. Não há fome. Não há nada. Só medo do que não se precisa temer.
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Place of peace

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Stonia

Toda a dor no meu peito é tua Outra que deixei por não ser Paz, não tenho, a noite a rouba Alcanço lentamente o torpor, mas não durmo Zanzando entre memórias eu sinto Inconsciente e presa na minha cabeça Outra agonia calma e constante

Recado

Hoje eu queria te ligar para falar das coisas que não tem nada a ver, nada a ver com a minha dor, nada a ver com o meu medo, nada a ver comigo, sozinha. Queria que você me dissesse que tem ou que não tem e que não é legal, que é mal, mesmo eu sabendo que o lobo sou eu. Queria o vínculo descompromissado que nos une e nos separa em igual força. Queria apenas falar e falar, sem precisar dizer nada e não pensar.

Medo insano

Injúria seria afirmar que não temo Ele me consome Me deixa estática Prende meus pés com concreto dentro deste inferno O medo de sair é maior que o anseio nauseado de viver Ladrão! Me rouba dos sonhos e das conquistas Me tira o amor precoce Me sufoca dentro do lar Corta meus pulsos no banheiro de casa

Por Ela

Queria te dizer o quanto sinto sua falta Quão vazias são as noites Quão opacos são os dias Tudo é cinza e preto Sou seu apaixonado patético Aquele que não dorme sem olhar suas fotos e agonizar Eu te amo pequena pedra E eu sofro.

Patrícia

Ela é chuva fina Vento do temporal Ela é brisa fesca É baforadas de fumaça tóxica Perdida se acha Me acha Me salva Sou sua É daquelas eloquentes Que produz o próprio perfume Que grava em prata e aço Que some de manhã e não se sabe se existiu

Ciclo

Porque quando se doa é pleno Porque quando se vai é tarde Porque quando chora é chuva Porque quando chove é frio Porque quando esquece é eterno Porque quando sai é a caça Porque quando acha é graça Porque quando é graça apaixona Porque quando fica é simples Porque quando é fácil ama Porque quando ama é vivo Porque quando é vivo perdoa

Amadurecimento

"Eu cresci, grande mar, moldado pelas tuas ondas. Grande e poderoso MAR eu também amadureci no teu colo bravo, sou teu filho! Eu posso ter deixado, pai zeloso, tua costa e teu mangue, mas levei teu gosto de sal e meu coração caiçara para o mundo onde a morte é mais um acaso."
O problema é que sempre fui vazio e isso não mudou.

Criado para outra

Você está lá e é a cura Viveria toda uma vida a mirar-te Queria te sentir por inteira Tocar tua alma como a um banjo Florir tua vida e dela fazer nascer um jasmim Mas sou criatura e peco Peco só de te pensar Não sou criador nem faço as regras Só te venero.

Sábado à Noite

Sinto falta de algumas pessoas e de alguns lugares Ando quase sempre sem rumo e quase nunca fugindo Geralmente nessas andanças eu encontro tudo que estava escondido Mas me quebro quase sempre antes de chegar a algum lugar Os carros passam deslizando a minha volta Em algum bar alguém chora aflito Reflito sobre como sou inconstante e indefeso Queria eu estar inconsciente também A água me acalma e me incapacitante Curvo meu corpo como um feto e choro Desisto de tudo e grito Chamo Deus e a morte com a mesma intensidade Quando levanto e caminho novamente encharcado e cheio de mágoa O frio do vento me traz sanidade Sei que amanhã me levanto cedo E enfrento meu fardo com dignidade

Percepção tardia

Ela é perfeita Sintética e funcional E posso até entender seu fascínio Ela se olha e se vê exatamente como é Pois não sonha mais em ser É sisuda e tranquila, sabe se abster Eu entendo pois ela é adaptável A peça que falta em você E penso quase sempre nela É quieta e fala mansinho Quando perto e longe de você Completando seu ser estridente Só eu que não posso mais me comprometer

Cárcere

Exilada me encontro Fora de mim e não volto Não desfruto cousa alguma Já não gozo de mim mesma Abandonada a beira do abismo Saio a vagar nos extremos Fico balançando aflita Acima do meu flagelo Não se vê mais as estrelas O céu já não tem mais cor A única luz é o fogo Onde perco tudo que sou Sinto me preso Mas preso fora de mim O sangue na boca escorre Ferro, gelo e medo

Nota para um Zé Ninguém

Eu estou pirando As coisas escorregam e durmo A noite impaciente zomba de mim Pois conto para ela pensamentos teus As perguntas se acumulam Gato Preto Elas fazem pilhas embaixo de meus ombros É teu sorriso anil em meus pesadelos É a sombra da morte pela janela de casa Eles acordaram meu bem Em jaulas de ouro e riram Eu grito mas ainda estou só Estou presa do lado de fora Procuro sem você a resposta que já sei Pois sussurraria em meu peito minha estupidez Gargalharia de meu desejo de ser igual Mas me faria dormir sem medo Eu sinto falta Gato Preto Do tempo que era livre e sabia Do tempo que corria o perigo que me atraia Que descobria o mundo como ele é

Medo

Eu tenho medo de muitas coisas, medo de cair, medo de errar, medo de sonhar e as vezes  de sair... Tenho medo da morte, medo do escuro, medo de perder e as vezes até de viver... É por isso que sou matéria morta no fundo do abismo.