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Mostrando postagens de novembro, 2016

Memoria

Uma das poucas coisas que tive certeza na vida, foi a de amar desesperadamente os olhos castanhos de um alguém. Um daqueles que levam um sorriso sempre estampados, que se dedicou incessantemente a *honrar pai e mãe* e viver segundo o certo. Era um dos poucos garotos que levavam a maturidade que lhe foi imposta como missão divina. Eu Amei. Todos os sorrisos cansados; todos os sonos atormentados; todos os dias corridos; todas as festas amanhecidas; tudo que foi; até a lembrança mais amarga.

Loucura Iminente

Percorrer e chegar Onde?! na toca dos sonhos Com um coelho que diz as horas E ser feliz para sempre E usar um chapel bobo E não sentir falta Do pai, da mãe, dos irmãos E ir morar para sempre No pais que Alice criou Sempre, sempre E ser feliz para sempre E ser criança para sempre Sem que exista terra do nunca E nunca acaba...

Prece Pagã

Eu choro um amor vencido A morte venceu meu amor, preto velho Me largou derrotada nesse mundo louco Mas ela não me leve, preto velho Ela quer me ver sofrer Foi a tempo, preto velho, que amei Coração de ouro e corpo quente Tinha meu índio sorridente De todos na aldeia, preto velho Era o mais bonito e perdido Essas lágrimas são desespero, preto velho Meu preto que ouve meu canto Desabou-se minha OCA aquela tarde Quase noite morreu meu amor Deixa afogar-me, deixa sofrer Pois morrer não morro Morte só quis meu meu menino, preto velho Não me leva mais daqui Quer ver meu sangue envenenado Pintar o barro de rubro, daqui pra manhã

Paisagem

Era tudo que se podia ver da janela. Pasto. Carvalho. Moça. Olhos azuis de pedição, Cabelos castanhos enrolados, Uma corda na qual se balançava, Perdida para sempre do mundo.

Tragédia contemporânea

Ei Anne! Cadê aquele menino branco que sentava na calçada? Ele costumava me falar de flores Arrancava sorrisos desta preta amargurada... Dizem que foi pro Rio de Janeiro Dizem que sonhava com o mar Dizem que sorriu tanto que chorou, nas bandas de IPANEMA Dizem também que, pobre menino, ia caminhando de mãos com seus pais... Naquela Guerra do Morro?! Ave Maria E foi triste fim! Essa preta que nunca mais sorri

Divagando, devagar....

A noite se arrastava silenciosamente para dentro do meu pequeno apartamento na Zona Norte, eu girei a chave pela segunda vez e acionei o interruptor. Minha minúscula sala, assim como havia deixado, se mostrava aconchegante e levemente bagunçada, ainda havia a nota adocicada das rosas da noite anterior. Eu a busquei às 7:00 hrs e a levei para jantar num barco na orla. Estava inquieta. tamborilava seus dedos longos e unhas vermelhas na mesa, me olhava pesarosamente e sorria com uma leve intenção de choro, eu notei. Era quase meia noite quando entramos em meu apartamento, que cuidadosamente cobri de suas flores favoritas, um mar vermelho era cortado por um caminho de velas que levava ao meu caprichado altar particular, adornado com nossas melhores fotos e uma suntuosa caixa de veludo carmim, dentro um anel de prata pura com um diamante solitário... Assim que ela saiu eu não poderia fazer mais nada, recolhi tudo, rosas fotos, suas ultimas coisas no meu quarto e levei para fora, eu não po...

Liberdade Defluente

“ Ser como rio que deflui Silencioso dentro da noite” Estar livre é um processo de caos e calma, é seguramente inseguro… é rouco e agudo em partes iguais!! Posso pensar em mil maneiras de estar livre, posso desativar minhas emoções (não sem custo) pois um homem sem vínculos é um homem sem barreiras. Um homem sem medo é um homem sem fronteiras, aquele que poderá ir a boca do inferno e aos portões do céu, será também um homem que jamais aceitará nenhum dos dois. Porém o preço da liberdade, qual será? Quantas partes da minha alma deixarei pelo caminho? Questões que me tiram o sono, a paz, a calma. Seria eu livre de mim mesmo se fosse livre das emoções? Creio que só uma experiência de pele diria. Mas ainda procuro a liberdade de forma esfaimada, diminuindo vínculos, aumentando desempenho, não devendo favores… Eis uma liberdade parcial, uma liberdade de obrigações com o próximo, além das devidas apenas por viver de maneira cristã, que se mostra frágil ao passar dos dias ...

Breve Reflexão

Olha-me pouco Pouco seus olhos me acham Mas Calma! Sei que me pensas Momento a momento Como parasita em teus sonhos O tormento frio em seus pensamentos O fogo morno em teu lençol