Quem eu sou?

Havia calor ainda em seus olhos, mas eles ia aos poucos esfriando e se fechando era como se algo o estivesse puxando para dentro de si mesmos, para suas mais profundas memórias.
Viu coisas que havia se esquecido há séculos, sua primeira queda de bicicleta, e sua mãe a fazer o jantar enquanto ele fazia o dever de casa na mesa; então pulou para pré-adolescência e viu Ana, a primeira garota que beijou, ela tinha trancinhas e sardas no rosto, lembrou de como a achava bonita mesmo usando óculos grandes demais; o primeiro porre com os seus amigos, ele não os via a muito tempo, soube que esposa de antônio havia perdido o bebê, mas ele teve muito trabalho e não pode visita-lo, não lembrava nem mesmo de ter ligado; se viu entrando no primeiro dia de faculdade ao lado de sua mãe, estava tão envergonhado por chegar lá com ela, mas sabia que não conseguiria ter entrado no prédio sem sua mão protetora o incentivando ali em suas costas; a primeira reprovação; a noticia de que era o melhor da classe; o discurso de orador onde não citou seu pai, não por raiva, ele não ligava mais, ou melhor achava muito possível que seu pai tivesse mesmo os motivos fortes que jurou na sua carta de despedida...
O mais doloroso foi voltar ao velório de sua mãe, estava exausto das semanas no hospital, ela sempre lhe dizia vá ao shopping com seus filhos, trabalhe menos, mônica precisa de você; viu novamente o aniversario de 15 anos de sua linda filha e como ela parecia muito a vontade como padrasto; viu então o casamento dela, estava linda e ele a guiava pela igreja para o homem que mal conhecia; voltou a entrar com seu filho no primeiro dia de faculdade, ele não parecia nada envergonhado, seu rosto estava grato e assustado;
Não houve o próximo o quadro, não teve próxima memória, apenas a dor do oxigênio voltando aos pulmões...

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