Eu sinto que morro todo dia apenas por não te ver Levanto sempre com o sol e com sol me deito Não procuro amigos, sou um recipiente vazio Não existe nada em mim além da minha vertiginosa camada de dor e desespero Quando, da sacada do meu quarto, o sol se esconde, eu me deito Cubro meu corpo e cabeça em lençóis de linho, vegeto Olho por minhas memorias distorcidas tudo o que já foi Nessa agonia calma as horas passam e eu me disperso nas memorias A noite vai morrendo como um velho tubérculo nas garras do sol Se afogando em sua própria escuridão Eu me encontro vendo o avanço gradual do sol em seu domínio particular E meus escritos se interrompem apenas para o chá Sua fria consistência me acalma, mas a segunda xícara nunca é servida Olho através dos secos vidros meu reflexo e lembro-me taciturno a tua volta É dolorido quando não adormeço e caminho pouco convicto Enjaulado em meu próprio quarto sentindo falta de um perfume Meus olhos secam e as luzes pela janela os ferem...