Eu e a Noite
De onde eu venho a noite é uma calma perfeita, onde brilham estrelas e os velhos cantam algo que remota do inicio da fé, de onde venho a noite tem cheiro de abraço e de soa muito parecida com "bença pai? Bença Mãe?".
Mas nesse lugar tudo é estranho, a noite ruge como um cão faminto e as paredes berram por toda parte uma dor coletiva, um abandono inumano. Aqui pouco se vê o céu e o vento cheira a podridão e o sinônimo de amor é medo.
Quando o entardecer engole as cores eu lembro que em minha casa era hora de fechar as portas para as visitas indevidas dos mosquitos, aqui minha porta só se abre enquanto passo, e o frio que vinha da pastagem depois das seis em nada se compara ao frio artificial do meu ar-condicionado.
Por vezes sento-me na sacada do prédio olhando o mar de pessoas descer a avenida em seu passo assustado e percebo quão pequena eu sou.
Me pergunto quantos outros como eu não são daqui e sentem saudades de suas casa e de seu jeito próprio de viver, me pergunto quantos em todo o mundo hoje olham o mesmo céu que eu e pensam: COMO É QUE EU VOU VOLTAR PRA CASA?
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