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Mostrando postagens de dezembro, 2017

Meia noite

A noite escrita escorre plácida como um fio de agua escorre pelo chão, estou insone outra vez e penso em mil coisas de cada vez, minha cabeça indo a milhas de distância em um mundo diferente desse. A meia-noite vem e passa, uma velha carrancuda que me diz que o sol é o olho de Deus, e eu não mereço a Deus. Os sons são apenas meu raquítico ventilador é a respiração irregular vinda da cama a cima... As coisas se amontoan enquanto escrevo no meu peito sentimentos mortos jazem em távolas de granito, eu sinto sua consistência fria e pegajosa, mas estão mortos e não podem mais se manifestar. Eu digo a mim mesma que quero parar e que quero mudar mas não quero, sou esse morcego empoleirado que poucos notam e gosto de assim ser, não me convém as dores de parto, não me ilude a segurança do lar, não me devora o amor consumado, sou bicho, sou animal enjaulado.

To Her

Eu que nem sei quem sou Nem posso ser mais do que quero Sinto por ti angústias Leves e tormentas ondas de saudades Eu que olho o inferno da porta Oro, sopro para que flutues até o céu

Encardido

Frustrado! Eu sou um velho bêbado frustrado Que chora amargurado e rouco Que sente saudades dela Mas que nunca a teve Que não pode tê-la Pois ela é suave e sutil Gentil, meiga e caridosa Porque ela merece todo amor e devoção do mundo E ele só pode lhe dar a dele Só pode ser aquilo que é E aquilo que é a condenaria E não se reconhece mais egoísta Pois por ela não pode ser mais isso Ainda assim não pode ser tão melhor Nem por ela, não pode ser

Paradigma

A soma de todos os medos Simplesmente tudo o que desejo Nesses olhos negros, agoniso Nesse peito aberto, me encaixo Faço uma forja para tua coroa E prenso em latão e marfim B eijo as mãos e a alma Me devora devoção sem fim Eu peço em meu desejo imenso Não penso no teu papel pequeno Sou só eu e um altar particular Passo rosas e jacintos entre as grades E a brasa repousa a contra meu peito Eu adormeço em agonia e fim

Lobo da Colina

A lua é crescente e eu saio Ando pelo bosque e deito na clareira Eu não o chamo, ele sempre sabe onde estou E ele vem... Meus joelhos sangram, mas eu sempre me ajoelho Colho frutinhos doces e espero seu abraço Ele é lívido e paciente Me conforta e me deixa dormir A casinha é pequena e sempre ganho flores O fogo constante na lareira e ele sai Ouço seu choro pela noite e sofro Ele sempre está por perto, mas não pode entrar Sinto que sou completa A bênção dos céus caiu sobre nós E as gélidas tempestades nos cercam Nos envolvem em um manto de amor