Meia noite
A noite escrita escorre plácida como um fio de agua escorre pelo chão, estou insone outra vez e penso em mil coisas de cada vez, minha cabeça indo a milhas de distância em um mundo diferente desse. A meia-noite vem e passa, uma velha carrancuda que me diz que o sol é o olho de Deus, e eu não mereço a Deus. Os sons são apenas meu raquítico ventilador é a respiração irregular vinda da cama a cima... As coisas se amontoan enquanto escrevo no meu peito sentimentos mortos jazem em távolas de granito, eu sinto sua consistência fria e pegajosa, mas estão mortos e não podem mais se manifestar. Eu digo a mim mesma que quero parar e que quero mudar mas não quero, sou esse morcego empoleirado que poucos notam e gosto de assim ser, não me convém as dores de parto, não me ilude a segurança do lar, não me devora o amor consumado, sou bicho, sou animal enjaulado.