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Aquilo que Queima

Não está além do céu Navegando no leite sereno Constelando e sorrindo Como sonho Não está sobre o mar Flutuando no gelo Ou sob ele Como tesouro perdido Está por dentro Vivo, latente Insone Não respeita a noite Não julga a morte É paixão e consome

Old broken-friend

Hey Old Friend As luzes da cidade estão acesas a tempo demais Eu estou aqui insanamente tentando dormir Só penso em como você veria as coisas se soubesse o mesmo que sei Hey Man Posso te chamar de amigo? Ou meu status ainda é de uma conquista barata? Eu converso com você no escuro como se você estivesse aqui Por isso que minhas luzes ficam mais tempo acesas agora Hey Eu estou enlouquecendo esses dias E só queria que você soubesse que ainda lembro Nossas teorias ainda vivem na minha cabeça martelando E sobre o mundo e os pesadelos Eu é quem os tenho

Fadada Memória

Cá assentado no barro vermelho Nas vigorosas vigas não desfeitas Olho o passado dantes, eu nem nasci Não existo Meu pai corre no terreiro Sobe sorrateiro no mourão Quase agarra a asa branca De casa, de criação Meu avô, seu suspiro cansado Debaixo do alpendre, enfadado Já enfermo, canta a toada Sobre Zé Garcia, herói afamado Da poeira que sobe carmim Minhas lágrimas sangue são Do menino alegre, cabelo afarofado Pisoteado pelo boi barbatão O cheiro da cozinha me alcança Café, foligem, e avó A risada macia e triste As estripulias do menor O riacho hoje é seco Mas ouço seu escorregar E o bálido distante da cria Sem lhe poder transpassar É o tempo escorrendo tosco O sol já vai se deitar Tenho de ir-me embora Meus fantasmas deixar Pois é noite de lua A seresta a pouco começa Farão, pois, fogo no começo da terra E água no terreiro ...

Fiz para você

Uma porção de escolhas que não pude assumir Canções e louvores que não vou admitir Qualquer coisa, apenas por lhe ver sorrir E peço... Me guarde para ti.

Despedida

Perdi pedaços ao longo da jornada, tão essenciais quanto o próprio ar, perco hoje , nessa dolorosa despedida, outro, este com sorriso maroto e vã crença em estrelas que talvez estejam mortas,  o que vemos em nosso ceu pode ser apenas a sua lembrança. Estrelas morrem Michelle, essa é a lei, estamos agora separando partes que duraram menos que qualquer outras, você segue e leva o sol que me aqueceu por esses dias contados e mesmo assim infinitos. São só palavras eu sei, mas é tudo que sei fazer, escrever minhas lágrimas em um papel surrado e esquecer.

Sofrer

Sobre ela, a pedra mais linda moldada na jóia mais cara, mas eu a perdi, um tolo e débil poeta que esmagou a flor e riu!

Dor absoluta

Eu sinto que morro todo dia apenas por não te ver Levanto sempre com o sol e com sol me deito Não procuro amigos, sou um recipiente vazio Não existe nada em mim além da minha vertiginosa camada de dor e desespero Quando, da sacada do meu quarto, o sol se esconde, eu me deito Cubro meu corpo e cabeça em lençóis de linho, vegeto Olho por minhas memorias distorcidas tudo o que já foi Nessa agonia calma as horas passam e eu me disperso nas memorias A noite vai morrendo como um velho tubérculo nas garras do sol Se afogando em sua própria escuridão Eu me encontro vendo o avanço gradual do sol em seu domínio particular E meus escritos se interrompem apenas para o chá Sua fria consistência me acalma, mas a segunda xícara nunca é servida Olho através dos secos vidros meu reflexo e lembro-me taciturno a tua volta É dolorido quando não adormeço e caminho pouco convicto Enjaulado em meu próprio quarto sentindo falta de um perfume Meus olhos secam e as luzes pela janela os ferem...