Cá assentado no barro vermelho Nas vigorosas vigas não desfeitas Olho o passado dantes, eu nem nasci Não existo Meu pai corre no terreiro Sobe sorrateiro no mourão Quase agarra a asa branca De casa, de criação Meu avô, seu suspiro cansado Debaixo do alpendre, enfadado Já enfermo, canta a toada Sobre Zé Garcia, herói afamado Da poeira que sobe carmim Minhas lágrimas sangue são Do menino alegre, cabelo afarofado Pisoteado pelo boi barbatão O cheiro da cozinha me alcança Café, foligem, e avó A risada macia e triste As estripulias do menor O riacho hoje é seco Mas ouço seu escorregar E o bálido distante da cria Sem lhe poder transpassar É o tempo escorrendo tosco O sol já vai se deitar Tenho de ir-me embora Meus fantasmas deixar Pois é noite de lua A seresta a pouco começa Farão, pois, fogo no começo da terra E água no terreiro ...