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Por hoje

O crepúsculo cai indolente Está indiferente a minha dor Meu peito lateja cheio Dores, amores e rancor Atravesso os dias como um fantasma Como, durmo e leio as vezes Sorrio quando necessário Mas pareço mesmo um espectador O vazio está de volta quando passa das 10 Olho para o teto insone e suspiro Tento preencher minha mente com boas coisas Mas elas parecem escorregar muito fácil Quando durmo o terror me assola Sou enterrada viva noite após noite Tenho sangue na boca em carne viva Tenho mais nas mãos e não tenho nada Não é sua culpa, não é ninguém Faço parte de um lote com defeito Mas devolver não é tão simples É bem assustador

Não existe paz

A paz que eu quero ter Não vem de Deus nem do mundo Não vem de mim ou das coisas Não tem nada a ver com você ou um sorriso É apenas o nada!

Perdão

Me perdoe porque eu sumo Porque perco seu número sempre que troco de telefone Me perdoe porque não tenho assunto Porque ser presente me oprime Me perdoe porque eu dou péssimos conselhos Perdoe porque eu não faço o tipo falante Me perdoe por ficar de lado e me não entrosar com seus outros amigos Perdoe a inquietude e falta de diálogo Me perdoe porque me ama Perdoe porque te amo Perdão

22 verões

Tem dias que nem quero sair da cama, prefiro me refugiar em baixo das cobertas e fingir que não existo, finjo que sou outra pessoa e que as coisas não me machucam, que não ligo para o que os outros pensam e que sou o suficiente para mim mesma, mas as coisas não são assim, tenho medo do fracasso apesar de não saber o que ele realmente é, e mesmo morrendo um pouco a cada dia Não consigo sair da inércia que adormece meu corpo pouco a pouco. Durante o sono não descanso acordo com a musculatura rígida e o corpo dolorido, a pespectiva do dia é respirar fundo e sobreviver até  hora que posso me trancar no meu quarto quieta sem que ninguém incomode. Sinto que perdi meus dias que me perdi neles e não sei como voltar atrás é como se a minha volta tudo tivesse perdido a cor e o brilho.  A única coisa que fica marcada nesse dias em branco são o picos de euforia e produtividade que culminam em ...

É o cinza a melhor cor...

Céu cinza é preguiça É aconchego na rede É sertão molhado É casa de vó Caatinga cinza é pega de boi Forró e gracejo a vontade É prece sobressaltada É rudia* e lata d'agua Cinza no fogão é fartura Baião de dois com pequi Café com leite e queijo Canja de galinha caipira Alma cinza é indolor É luto quase desfeito Paz sem ruptura É a cura fazendo efeito

Aquilo que Queima

Não está além do céu Navegando no leite sereno Constelando e sorrindo Como sonho Não está sobre o mar Flutuando no gelo Ou sob ele Como tesouro perdido Está por dentro Vivo, latente Insone Não respeita a noite Não julga a morte É paixão e consome

Old broken-friend

Hey Old Friend As luzes da cidade estão acesas a tempo demais Eu estou aqui insanamente tentando dormir Só penso em como você veria as coisas se soubesse o mesmo que sei Hey Man Posso te chamar de amigo? Ou meu status ainda é de uma conquista barata? Eu converso com você no escuro como se você estivesse aqui Por isso que minhas luzes ficam mais tempo acesas agora Hey Eu estou enlouquecendo esses dias E só queria que você soubesse que ainda lembro Nossas teorias ainda vivem na minha cabeça martelando E sobre o mundo e os pesadelos Eu é quem os tenho