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Sofrer

Sobre ela, a pedra mais linda moldada na jóia mais cara, mas eu a perdi, um tolo e débil poeta que esmagou a flor e riu!

Dor absoluta

Eu sinto que morro todo dia apenas por não te ver Levanto sempre com o sol e com sol me deito Não procuro amigos, sou um recipiente vazio Não existe nada em mim além da minha vertiginosa camada de dor e desespero Quando, da sacada do meu quarto, o sol se esconde, eu me deito Cubro meu corpo e cabeça em lençóis de linho, vegeto Olho por minhas memorias distorcidas tudo o que já foi Nessa agonia calma as horas passam e eu me disperso nas memorias A noite vai morrendo como um velho tubérculo nas garras do sol Se afogando em sua própria escuridão Eu me encontro vendo o avanço gradual do sol em seu domínio particular E meus escritos se interrompem apenas para o chá Sua fria consistência me acalma, mas a segunda xícara nunca é servida Olho através dos secos vidros meu reflexo e lembro-me taciturno a tua volta É dolorido quando não adormeço e caminho pouco convicto Enjaulado em meu próprio quarto sentindo falta de um perfume Meus olhos secam e as luzes pela janela os ferem...

Sobre o fado

Estou cheia! Cheia de noites mal dormidas Cheia de conversas vazias Cheia de pessoas falsas Cheia de amores de vidro Cheia de compromissos furados Cheia de promessas quebradas Cheia de vazios incalculáveis

Corona

Eu te desejo que você seja Você veja quando alguém te faz bem Quando for existir e pensar Sempre lembrar do que mereceu Teu mal é gêmeo do meu Se chama solidão Desgosta, mata e revive Sobrevive na mais densa escuridão Teu solo é esse que piso Teu sonho é esse que é meu também Mas não se deixe, não abandone É assim meia vida e além.

Uma garota, até que enfim, extraordinária

Algo que aprendi sobre ela é naquele quase metro e meio existe uma grandeza, uma gentileza, uma leveza... Enfim nada muito simples de explicar, naqueles olhos nada críticos tão contrários aos meus existia um puro e sincero torpor que ousei chamar de amizade Michelle era entre outras coisas, ousada, aproximar-se sem medo daquela imagem vampiresca e antipática que eu ostentava, ou melhor sustentava, pois dia menos dia eu me cansava e colocava tudo no chão e chorava, arruinada como uma foto que caiu no lago. Mas o intrigante sobre sua alma, era apenas que não era vazia, não oscilava e não enegrecia, nem mesmo com os meus falhos atos de desamor. Michelle era comovente e desconhecia minha luta diária por aceitação, não por parte dos outros, pela minha própria e ouso dizer que me amo um pouco mais depois de sua alegre disposição em me levar para dentro de seu coração gigante, eu estava novamente desesperado e ela estava me dando a mão.

Aquela armação transparente

Ela é viva e transparente Tão quanto suas lentes Eu a vejo como algo sutil e ela ri Dos meus grossos modos Sou nada gentil Mas ela perdoa Jarderlany é única E vive em mim Neste momento, outros eu lamento Nada posso fazer Você vai embora e eu fico Se outra surge Eu peco Perdoa, eu não te esqueço E juro Para ti escrevi um poema

Angústia

Eu verso a angústia que toma meu peito E saio sem rumo a deriva no mar O mar de pessoas que se aglomeram Meramente vazias sem nada pra dar É frio la fora, no calor escaldante Tão escuro no sol  que não se pode olha Me sinto estrangeiro aqui não pertenço Preciso do lar para enfim descansar No mundo assim eu só sei de mim Que tudo que vê não se pode aceitar Que nada em esforço continuo é inútil Não há uma força para esse curso mudar.