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Meia noite

A noite escrita escorre plácida como um fio de agua escorre pelo chão, estou insone outra vez e penso em mil coisas de cada vez, minha cabeça indo a milhas de distância em um mundo diferente desse. A meia-noite vem e passa, uma velha carrancuda que me diz que o sol é o olho de Deus, e eu não mereço a Deus. Os sons são apenas meu raquítico ventilador é a respiração irregular vinda da cama a cima... As coisas se amontoan enquanto escrevo no meu peito sentimentos mortos jazem em távolas de granito, eu sinto sua consistência fria e pegajosa, mas estão mortos e não podem mais se manifestar. Eu digo a mim mesma que quero parar e que quero mudar mas não quero, sou esse morcego empoleirado que poucos notam e gosto de assim ser, não me convém as dores de parto, não me ilude a segurança do lar, não me devora o amor consumado, sou bicho, sou animal enjaulado.

To Her

Eu que nem sei quem sou Nem posso ser mais do que quero Sinto por ti angústias Leves e tormentas ondas de saudades Eu que olho o inferno da porta Oro, sopro para que flutues até o céu

Encardido

Frustrado! Eu sou um velho bêbado frustrado Que chora amargurado e rouco Que sente saudades dela Mas que nunca a teve Que não pode tê-la Pois ela é suave e sutil Gentil, meiga e caridosa Porque ela merece todo amor e devoção do mundo E ele só pode lhe dar a dele Só pode ser aquilo que é E aquilo que é a condenaria E não se reconhece mais egoísta Pois por ela não pode ser mais isso Ainda assim não pode ser tão melhor Nem por ela, não pode ser

Paradigma

A soma de todos os medos Simplesmente tudo o que desejo Nesses olhos negros, agoniso Nesse peito aberto, me encaixo Faço uma forja para tua coroa E prenso em latão e marfim B eijo as mãos e a alma Me devora devoção sem fim Eu peço em meu desejo imenso Não penso no teu papel pequeno Sou só eu e um altar particular Passo rosas e jacintos entre as grades E a brasa repousa a contra meu peito Eu adormeço em agonia e fim

Lobo da Colina

A lua é crescente e eu saio Ando pelo bosque e deito na clareira Eu não o chamo, ele sempre sabe onde estou E ele vem... Meus joelhos sangram, mas eu sempre me ajoelho Colho frutinhos doces e espero seu abraço Ele é lívido e paciente Me conforta e me deixa dormir A casinha é pequena e sempre ganho flores O fogo constante na lareira e ele sai Ouço seu choro pela noite e sofro Ele sempre está por perto, mas não pode entrar Sinto que sou completa A bênção dos céus caiu sobre nós E as gélidas tempestades nos cercam Nos envolvem em um manto de amor
Era um tipo calado, que mesmo no meio da multidão estava só, aquela garota que se fechava com seus fones de ouvido e seus cadernos, estava em outro mundo, vivendo como outra pessoa .

Eu morto

Essa é uma daquelas noites que desejo ardentemente um cigarro é a dormência do álcool. Nada faz sentido e eu sinto tudo, principalmente o vazio assombrado no meu peito, a falta de não sei o que é a ânsia que se apoderam de mim. Eu já quis gritar e já quis morrer tantas vezes hoje que não faz mais sentido, nada faz, gostaria de por fogo em algo e me queimar só pra saber que estou mesmo viva