Uma Alma Em Particular

Era um daqueles moços bem apessoados, mantinha a barba bem feita, os cabelos sempre cortados em modelo galante e um fragrante perfume a exalar em torno de si, poderia dizer-se que o cavalheiro em questão era um homem de posses e portanto soberbo, porém essa era uma imagem enganosa.
Todas as quartas-feiras era acometido pelo sentimento nobre do amor ao próximo, enchia o porta-mala de um carrinho velho que comprara fora de comida, roupas e produtos de higiene pessoal, vestia-se com trapos amassados chamava seu motorista, e fiel amigo, e dirigia para fora do luxuoso bairro onde morava.
Dali alguns quilômetros, no subúrbio paulistano, ele estacionava em um lugar onde a visão era pungente e enojante. pessoas amontoadas com crianças, animais e lixo. Ele descia e logo os precários abitantes daquele lugar fazia fila, olhavam esperançosos para ver o que trouxera desta vez, como sempre ele alimentava primeiro os velhos, depois as criança e por fim os demais, era um sistema bem simples; depois ele distribuía roupas e cobertas, as noites paulistas tendem a ser muito frias, e também produtos de higiene, entre eles, fraudas infantis e geriátricas e chupetas.
Esse homem não tinha um passado duvidoso, um carma, saudade ou culpa. Era apenas um comum, com família amigos e um livro especial sempre em baixo do braço, no qual em um página especialmente marcada havia escrito: AMAI AO TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO.

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