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Uma garota, até que enfim, extraordinária

Algo que aprendi sobre ela é naquele quase metro e meio existe uma grandeza, uma gentileza, uma leveza... Enfim nada muito simples de explicar, naqueles olhos nada críticos tão contrários aos meus existia um puro e sincero torpor que ousei chamar de amizade Michelle era entre outras coisas, ousada, aproximar-se sem medo daquela imagem vampiresca e antipática que eu ostentava, ou melhor sustentava, pois dia menos dia eu me cansava e colocava tudo no chão e chorava, arruinada como uma foto que caiu no lago. Mas o intrigante sobre sua alma, era apenas que não era vazia, não oscilava e não enegrecia, nem mesmo com os meus falhos atos de desamor. Michelle era comovente e desconhecia minha luta diária por aceitação, não por parte dos outros, pela minha própria e ouso dizer que me amo um pouco mais depois de sua alegre disposição em me levar para dentro de seu coração gigante, eu estava novamente desesperado e ela estava me dando a mão.

Aquela armação transparente

Ela é viva e transparente Tão quanto suas lentes Eu a vejo como algo sutil e ela ri Dos meus grossos modos Sou nada gentil Mas ela perdoa Jarderlany é única E vive em mim Neste momento, outros eu lamento Nada posso fazer Você vai embora e eu fico Se outra surge Eu peco Perdoa, eu não te esqueço E juro Para ti escrevi um poema

Angústia

Eu verso a angústia que toma meu peito E saio sem rumo a deriva no mar O mar de pessoas que se aglomeram Meramente vazias sem nada pra dar É frio la fora, no calor escaldante Tão escuro no sol  que não se pode olha Me sinto estrangeiro aqui não pertenço Preciso do lar para enfim descansar No mundo assim eu só sei de mim Que tudo que vê não se pode aceitar Que nada em esforço continuo é inútil Não há uma força para esse curso mudar.

Pesadelos

É noite de novo e fico a pensar Nos terrores noturnos, lenta tormenta A muito não escrevo Estou inquieto pesado, sangrado e só Não durmo tranquilo Quando o sono se achega A cabeça pesada de sono e de Culpa Uma vaga desculpa Que não cai melhor No fim tudo é breve Eu temo por nós Cada pesadelo de um dia final Sangrar sobre as dores Um triste festival

Verso Corrido

Cheirinho de chuva de mato molhado O céu estrelado Falando de nós O riacho correndo A vida serena Mas falta a partilha Aqui estou só O sertão tão chovido E eu tão sofrido Aqui haja dó Casa de vó é serena e bonita Uma cigarra que canta  Alegre pra nós A brisa do inverno se aconchegando E a solidão consolidando  A saudade no pó Tarde da noite versando apressada Com medo e magoada O fim é para nós

Através da perspectiva

A vida é breve e insignificante, digo isso pois me deparo com uma casa que se organiza para um velório, as pessoas dentro, penso eu, devem estar buscando motivo para continuar enquanto todos, inclusive eu, nos mostramos indiferentes a toda a dor que recaiu espessamente sobre aquela família. Perdi uma quantidade significativa de pessoas para saber que em algum lugar daquela casa há alguém agarrada a um objeto que lembra-lhe a pessoa e chora copiosamente enquanto sente o ar quei mar seu ser de dentro pra fora. Mas eis que essa sou eu, pensando demais, supondo demais, ignorando o fato de pode ser alguém já de idade que pacificamente fez sua passagem deixando a família numa resignação triste, porém saudável. Mas vivemos por isso, pela tragicidade da vida, pelos "de repente"s pelo que julgamos serem sentimentos tão fortes que preenchem o vazio das almas, sem essa esperança seriamos nós, mortos-vivos despropósi...

Tão breve quanto uma aula de violão

Ele me olhava por sobre o balcão Eu sorrio pois sou fatalmente fraca em relação a ele Seu cavanhaque e a pele morena me ganharam instantâneamente É o show particular naquele início de aula só me fizeram ainda mais boba Fico sentada no pátio até o inicio do período só para vê-lo passar É suspiro quando imagino as coisas que não vão acontecer Isso se repete semana a semana como um dejavú Tão breve quanto uma aula de violão