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Thiago

Acho que não vou conseguir esquecer o rápido vislumbre pelo vidro fumê do carro aquela sexta-feira do fim do período. Seu rosto sério e cansado, sem o costumeiro cavanhaque que ostentava anos atrás. Tem hoje, feições de um homem sério, de um pai e esposo compromissado, esforçado, exaurido... Foi-se a jovialidade e o frescor que me prendiam o olhar. Penso, inquieta e a espera, sobre sua camisa azul, aquela que costumava usar e eu amava, um xadrez grunge de listras brancas no pátio a dedilhar o violão. Revejo as horas que passei do lado de fora da sala de musica, à beber daquele som para sarar meus pulsos. Eu era a garota que te admirava a distância no refeitório todas as manhã e algumas tardes e que se envergonhava, com um sorriso bobo e bochechas coradas.

Estou Aqui

Eu ainda estou aqui Prestando homenagens bregas A um morto que não conheci Chorando copiosamente Uma dor que nunca senti Eu ainda estou aqui Ouvindo uma mesma faixa De um disco antigo Comendo biscoito De um mesmo sabor Eu ainda estou aqui Vestindo o mesmo vestido Floral de azul e branco Usando o mesmo perfume Amêndoas doces e lavanda Eu ainda estou aqui Sem mudar em nada a vida Fazendo sempre o mesmo Esperando desesperada Você voltar dessa viagem

Passenger | Let Her Go (Official Video)

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A Garota Da Capa Vermellha

É noite e eu chamo Ela não vem pois não pode sair Meu uivo estremesse a vila inteira E ela sente também minha dor Corro atrás do cheiro Morangos, suor e Sangue Ela está deitada na clareira Ela Fugiu para mim Caço para ela todas flores E durante o dia corto a lenha para aquecê-la Todo mês durmo fora três noites As três noites que a protejo ferozmente Eu sou a alma indormente do bosque O Terror e o trovão dos invernos Mas fui apaziguado Eu fui domado pelo amor

A Garota no pátio

Ela é linda Deus e é de Esquerda Houve musica e chora, Deus Odeio que isso aconteça Seus caracóis me enroscam Seu all Star me pisa, Deus Estou fascinado Sento-me e escrevo tolo Um poeta apaixonado Por cima dos meus óculos observo A meiguice travestida, Deus Apenas não me contento Seus olhos, de que cor? Um poeta em desalento Em minhas linhas penso, Deus Em como sua voz ressoa Quando só em seu quarto, Deus Seu choro ecoa É fardo, é fadigado Como respiro, hó Deus Sinto-me sufocado E ela se foi Um poeta abandonado

Agatha

Um quarto no ultimo andar da casa de paredes cor-de-rosa e com almofadas azuis e lilázes. O quarto de Agatha. O lugar mais triste do mundo. Mamãe sonhara com a menininha de olhos escuros e cabelos cacheados que correria  e destruiria metade dos bibelôs espalhados pela casa, era o sonho, papai a levaria para o balé a tarde, mamãe a pegaria depois e em casa seu irmão Danny ajudaria com o dever de casa. era a rotina perfeita, mas Agatha não vei para casa da maternidade. ela ficou na incubadora por meses e depois o seu pulmãozinho mal formado não quis mais funcionar.

Seleção 01/10

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Titulo: Ali Artista: Skank Compositor: Samuel Rosa/ Nando Reis Álbum: Maquinarama Lançamento: 2000 Nota: Musica que amo e que ouço desde sempre, ela me tras uma nostalgia e um aperto no peito :'(, mas mesmo assim me faz sentir livre, me faz sentir eu mesma. Ela entrou e eu estava ali Ou será que fui eu que ali entrei Sem sequer pedir a menor licença? Ela de batom caqui Com os olhos olhava o quê? Eu não sei Olhos de águas vindas De outros oceanos Ela me olhou - Quem? Quem sabe com ela Eu teria as tardes Que sempre me passaram Como miragens, como invenção! Se eu não posso ter Fico imaginando Eu fico imaginando Virá com ela que entrega Virá, sim, assim virá que eu vi Virá ou ela me espera Virá, pois ela está ali Ela amou o que estava ali Ou será que foi dela o que eu já amei Como os laços fixos de uma residência? Ela: Alô!? E eu não reagi Com os olhos olhava o que eu lembrei Quando andava indo Em outra direção Ela me olhou - Vem! Quem sabe com ...