Thiago
Acho que não vou conseguir esquecer o rápido vislumbre pelo vidro fumê do carro aquela sexta-feira do fim do período. Seu rosto sério e cansado, sem o costumeiro cavanhaque que ostentava anos atrás. Tem hoje, feições de um homem sério, de um pai e esposo compromissado, esforçado, exaurido... Foi-se a jovialidade e o frescor que me prendiam o olhar. Penso, inquieta e a espera, sobre sua camisa azul, aquela que costumava usar e eu amava, um xadrez grunge de listras brancas no pátio a dedilhar o violão. Revejo as horas que passei do lado de fora da sala de musica, à beber daquele som para sarar meus pulsos. Eu era a garota que te admirava a distância no refeitório todas as manhã e algumas tardes e que se envergonhava, com um sorriso bobo e bochechas coradas.